O CNIO desenvolve uma nova terapia contra um dos tumores cerebrais mais letais

Os testes foram realizados em ratos mostraram um aumento da taxa de sobrevivência de até 80%

Leire Bejarano, Maria A. Blasco, autoras da pesquisa.
O glioblastoma multiforme é o tipo de tumor cerebral mais comum que existe, e também um dos mais letais, já que tem uma incrível capacidade para autorregenerarse, o que lhe permite desviar quase todas as opções terapêuticas existentes. Mas, agora, uma nova pesquisa liderada por Maria A. Blasco e Leire Bejarano, pesquisadoras do Grupo de Telómeros e Telomerase do Centro Nacional de Investigações Oncológicas (CNIO), já testado com sucesso em ratos uma nova terapia.
Entre as células que compõem esta variedade de tumor há umas chamadas células-tronco do cérebro, que têm a capacidade de reproduzir completamente o tumor a partir de uma delas. E uma de suas características é que têm níveis muito elevados de proteína telomérica TRF1, que, além de ser essencial para a proteção do telómero, é necessária para manter a capacidade destas células para regenerar o tumor.
“Vimos que o TRF1 está sobreexpresado tanto em cérebro de rato como em amostras humanas, o que nos indica que bloqueándolo talvez poderíamos obter algum resultado”, diz Leire Bejarano. Assim, Blasco e Bejarano se concentraram em excluir desta proteína durante a formação do tumor, e também em bloqueá-lo uma vez que após a cirurgia já estavam completamente formados. E o resultado foi que, em ambos os casos, aumentou a taxa de sobrevivência. No primeiro, o aumento foi de 80%, e no segundo, de 33.
Após o sucesso dessas primeiras provas, passaram a trabalhar com células de tumores humanas cultivadas em laboratório. Para isso, enxertaram células-tronco do cérebro decorrentes de dois pacientes em ratos e os trataram com uma série de compostos desenvolvidos no CNIO que inibem TRF1. E o resultado foi que aqueles que receberam este tratamento, mostraram uma redução do crescimento e do tamanho do tumor, e um aumento da sobrevivência.